quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Criado há 4 meses, Partido da Mulher Brasileira nasce com crise na origem


Apesar de ter sido criado com o discurso de defesa dos direitos das mulheres, o Partido da Mulher Brasileira (PMB) já nasce com uma crise de origem. Descontando o fato de a sigla ter apenas duas deputadas federais filiadas contra 19 deputados, o partido evita empunhar bandeiras dos grupos feministas, como descriminalização do aborto e identidade de gênero. Com quatro meses de criação, a sigla tornou-se protagonista de polêmicas.
Sem esconder as vantagens obtidas com a mudança de partido, o deputado federal Adalberto Cavalcanti saiu do PTB para o PMB para ampliar as alianças dos petebistas no Estado. “Continuo no grupo de Armando Monteiro Neto. A presidente do PMB me convidou para ser presidente regional em Pernambuco”, explicou. “Aceitei porque uma coisa é você mandar e outra é você ser mandado”, afirmou.
Questionado sobre as ações à frente da legenda, Cavalcanti explicou que as diretrizes ainda serão repassadas pela presidente nacional, Suêd Haidar. “É um orgulho para mim ser representante das mulheres em Pernambuco”, disse o deputado, sem detalhar as ações.
Integrante do Grupo de Gênero e Masculinidades (Gema) da UFPE, a psicóloga Suely Oliveira milita no movimento feminista desde a década de 80 e demonstra descrença com a legenda. “Eles não levantam os problemas que temos de morte materna por abortamento. Ela (a presidente do partido) diz que é contra o aborto, mas não cita isso como um problema de saúde pública”, criticou. Com base em sua trajetória, Suely pontua que, ao invés de serem criados novos partidos, os que já existem deveriam incorporar as bandeiras de lutas das mulheres. “A questão da diversidade sexual, reforçar a política de cotas, ações afirmativas e de paridade”, defendeu.
O cientista político Pedro Fassoni, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, endossa o posicionamento de Suely e critica a sub-representação das mulheres no Legislativo federal. Em termos populacionais, as mulheres representam 51% ou 52% da população brasileira e no Congresso são apenas 10%.
“É um partido que, formalmente, representa a mulher, mas que na prática está muito longe dessa representação. De que maneira a militância da sigla atua junto às fábricas para equiparação salarial?”, questiona. “Outra reivindicação é a luta pelo parto normal/natural face ao elevado número de cesáreas. Mas não vejo o PMB defendendo o parto natural e se colocando contra a violência obstétrica. Será que eles representam as mulheres lésbicas”, pontua Fassoni.
A reportagem do JC entrou em contato com a Executiva Nacional do partido, por e-mail e telefone disponibilizados no site, mas as mensagens não foram retornadas.
(JC)

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