domingo, 28 de fevereiro de 2016

Secretária de saúde e coordenadora de epidemiologia do município de Dormentes, falam sobre primeiro caso suspeito de microcefalia no município



No último dia 24 deste mês, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco divulgou boletim com quantidade de casos suspeitos de microcefalia no sertão do estado e Dormentes apareceu pela primeira vez com um caso suspeito da doença.

Diante de toda repercussão acerca do assunto após matéria que aqui foi publicada, decidimos procurar a Secretaria Municipal de Saúde de Dormentes para buscar detalhes sobre o caso e levar maiores informações aos nossos leitores.

Quem nos recebeu foi à secretária de saúde do município Maria do Socorro e a coordenadora de epidemiologia do município Williene Alves de Brito, que se dispuseram a falar sobre o caso.

Williene iniciou falando dos critérios que a Secretaria Estadual adota para tornar um caso como suspeito e os métodos minuciosos de investigação. “A Secretaria Estadual do estado de Pernambuco desenvolveu um protocolo que toda criança que nascesse igual ou menor que 33 cm de perímetro cefálico, essa criança teria que ser notificada como suspeita de microcefalia, foi por isso que Pernambuco teve um numero mais alto que os outros estados com notificações. Após isso, foi desenvolvido um novo protocolo diminuindo de 33cm para 32cm. Então toda criança que nascer com perímetro cefálico com o tamanho igual ou menor a 32cm deverá ser notificada como caso suspeito, independente do tamanho da criança se ela nascer com 37 semanas de gestação ou mais e com 32 cm de perímetro cefálico, já é feita a notificação” explicou.

Sobre o caso suspeito, a coordenadora disse que viu a criança e aparenta ser uma criança normal. “A criança é muito pequenininha, nasceu de parto normal, aparentemente saudável, mas para cumprir o protocolo tivemos que notificarEssa criança já passou por uma avaliação com um pediatra, já fez a primeira consulta, fez os primeiros exames, vai fazer uma tomografia e depois vai passar por um neuro, dai ele vai confirmar ou descartar se é microcefalia ou não”, frisou ela.

A secretária Maria do Socorro por sua vez, falou sobre os procedimentos a serem executados caso seja confirmada a suspeita em questão. “No caso da microcefalia, não é só causado pelo vírus da zika, tem outros fatores que podem causar a doença, quando detectado que a criança tem microcefalia o que tem a fazer é trabalha o psicológico da mãe, da família e depois que a criança nascer, fazer o acompanhamento devido, porque a microcefalia não tem cura”, ressaltou.

Disse ainda que é necessário todo levantamento que está sendo feito com relação à criança com suspeita da doença, mas não acredita que ela tenha microcefalia. “Eu acredito que não será confirmado, a criança nasceu muito pequena, mas aparenta ser normal, mas se caso for confirmado, dai em diante será investigado se foi causado realmente pela zika, já que a mãe não teve sintomas que assemelham com os do vírus”, acrescentou a secretaria.

A secretária aconselha a quem sentir os sintomas das doenças causada pelo Aedes, que procurem o hospital, mas se caso o médico mandar de volta para casa e persistir os sintomas que procurem o PSF - Programa Saúde da Família mais próximo, local onde será feito um acompanhamento mais aprofundado.

Maria do Socorro lamentou a indisponibilidade do exame para detectar o vírus da zika. “No caso da zika nós não temos ainda o exame que confirme a doença, por ser uma forma mais complexa, esse exame só está disponível ainda nas unidades sentinelas, em Dormentes só temos disponíveis ainda para chicungunha que o estado nos disponibilizou há pouco tempo, e o da dengue”.

Falando sobre o trabalho de prevenção e combate ao mosquito, a secretária disse que em março, durante os festejos anuais da Igreja Católica, está agendada a vinda da “Força Tarefa” e garantiu que foi um agendamento estratégico, pois nesse período as casas que passam o ano todo fechadas, estarão abertas, já que seus donos são moradores do interior e virão acompanhar os festejos. “Já enviamos um oficio solicitando que a Vigilancia em Saude do estado nos envie a Força Tarefa de enfrentamento ao mosquito, inclusive eu já havia avisado que seria agora em fevereiro, só que eles ainda estão finalizando os trabalhos em Petrolina, então ficou para março, e é preferível em março, pois é o mês do novenário, período que muita gente do interior vem para cidade e muitas casas que estão fechadas estarão acessíveis. O maior problema que é enfrentado na hora da busca dos focos são essas casas fechadas. Então estamos confiantes que o período escolhido foi bastante propicio para que venhamos a obter maior sucesso no combate ao Aedes” afirmou ela.

Ao ser questionada sobre a capacidade do hospital e dos profissionais em saúde para receber pacientes com os sintomas, a secretária falou o seguinte: “A população tem que estar consciente, pois não adianta só o hospital e os profissionais estarem preparados, o importante na questão das doenças causadas pelo Aedes é a população evitar fazer depósitos para o mosquito em suas casas e na rua, questão de lixo em terrenos baldios, já estamos cobrando da Secretaria de Obras para que limpem os terrenos públicos, para ai sim cobrarmos da população para a limpeza dos particulares. Não adianta ter um Hospital preparado se a população não colaborar. O principal trabalho é de educar as pessoas, pois se eu cuido da minha casa e meu vizinho não cuida da dele, eu estarei correndo risco do mesmo jeito, portanto, tem que ser uma só unidade de prevenção”.

E finalizou mandando um recado para a população. “Quero pedir para as pessoas que flagrarem seus vizinhos com locais em suas residências, propícios para a propagação do mosquito, que nos procurem para denunciar, que mandaremos um profissional de epidemiologia até o local para apurar a denúncia e tomar as devidas providências. Peço também, para quem tiver terrenos baldios que limpem, pois tampinhas e outras vasilhas que podem juntar água que estiverem em terrenos sujos, os profissionais que passarem pelo local, não visualizarão esses objetos que poderão se tornar depósitos para o mosquito, pondo em risco os que residem próximo a esses locais”, Concluiu ela.

Texto/edição: Lourinaldo Teixeira
Dormentes em Rede


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