quinta-feira, 14 de março de 2019

Corpos de vítimas do massacre em escola de Suzano são enterrados


Corpo de Samuel Oliveira é levado para enterro no Cemitério São Sebastião, em Suzano — Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1


Os corpos das vítimas do massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, foram enterrados, sob chuva, na tarde e no início da noite desta quinta-feira (14) no Cemitério Municipal São Sebastião.

O primeiro a ser sepultado, às 16h, foi o corpo do aluno Samuel Melquiades de Oliveira Silva, de 16 anos. O caixão com o corpo do jovem foi levado sob aplausos. Samuel era desbravador da Igreja Adventista do Sétimo Dia e gostava de desenhar.

"Samuel teve a oportunidade de ilustrar um livro para um amigo meu", contou o pai do menino, Gercialdo Melquiades de Oliveira. "Meu amigo veio trazer esse bonequinho, que é um personagem dele, então tem um pouquinho dele aqui".

Os companheiros desbravadores acompanharam o enterro uniformizados, e balançaram lenços amarelos em homenagem ao menino.

"Foi para a glória de Deus que Samuel morreu. Eu queria nesse momento encontrar as palavras certas para confortar o coração de vocês. É contra as regras da natureza um pai enterrar um filho. Deus está ao lado dos pais nesse momento. Nós o veremos na glória, Samuel", disse pastor que conduziu a cerimônia.

Em seguida foram enterrados os corpos dos alunos Kaio Lucas da Costa Limeira e Caio Oliveira. Eles também foram aplaudidos por amigos e familiares que acompanhavam o sepultamento.

Kaio Lucas se destacava pelo bom humor. "A gente sempre se via no corredor e brincava um com o outro, dava risada. Ele era uma pessoa incrível", contou Marcela Bianca Toqueiro, amiga do menino.

Amigo de Caio Oliveira, Alyson Fiusa disse que o menino era uma pessoa gentil. "Quando eu me mudei para Suzano e não conhecia ninguém, ele foi uma das primeiras pessoas que me acolheram na escola", lembrou.

O quarto corpo enterrado foi o da inspetora Eliana Regina de Oliveira Xavier, de 38 anos, que trabalhava desde 2016 na escola. Familiares pediram para que o caixão fosse aberto para olhar o rosto dela pela última vez antes de o corpo ser enterrado – também sob aplausos.
Durante o ataque, ao ver um dos assassinos, Eliana entrou na frente de alguns estudantes. "Ela tratava todos nós, os alunos, como se fosse a mãe da gente. Ela era educada, carinhosa. Se tivesse qualquer tipo de problema, podia conversar com ela", contou Camile Rocha Máximo, ex-aluna de Eliana.

O quinto e último corpo, de Cleiton Antônio Ribeiro, 17, chegou ao cemitério no início da noite desta quinta (14), com atraso, pois a família esperava um parente que mora na Bahia.
Os pais do menino choraram, abraçados, e saíram amparados do enterro do filho, o único do casal. A primeira filha deles morreu antes de o menino nascer. A mãe levava Cleiton na escola todos os dias. (G1)


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